A orelha do Rinoceronte

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Livro vencedor do Prêmio Pernambuco de Literatura

“Rinoceronte dromedário é obra que retorna às origens da linguagem. Helder parece ter voltado ao Éden e batizado as coisas que careciam de nomes. Um batismo “lesmento” e flexível, que vai se bulindo até virar Poesia. É forte no livro esse “primeiro olhar para as coisas”. O olhar de espanto e encantamento que tem a criança. Quem, senão uma criança ou um poeta, seria capaz dessa proeza: “Casca de ferida / pegou nojo do doente / despregou-se / e foi ter amizade com as baratas”.

Paul Celan escreveu certa vez que a sua força criadora vinha da infância. E se olharmos bem para o Rinoceronte dromedário é justamente isso que veremos. Aqui, a infância nos é trazida como aquele presente que perdemos, não se sabe onde, nem quando. E a gente, de cara, reconhece o presente, não como coisa, mas como amigo de velhas datas. O livro nos faz crer que não ser mais criança é perder muita coisa: “O poder da infância / era que pra morrer / bastava apenas fechar os olhos / para ressuscitar / somente abri-los”.

Escrever poesia em Pernambuco não é nada fácil. O Estado sempre brindou o Brasil com grandes nomes: Manuel Bandeira, Joaquim Cardozo, João Cabral e Alberto da Cunha Melo. Há sempre uma cobrança de quem será o “novo grande nome da vez”. Helder está entre os melhores poetas pernambucanos de sua Geração. E, no futuro, estará entre os grandes nomes aqui citados. Que venham os anos, os livros e a confirmação na aposta.”

(Na orelha do livro)